
O dia 07 de setembro é a data na qual comemora-se a Independência do Brasil. Como sabemos da história, esta data corresponde ao dia em que D. Pedro de Alcântara Bragança, às margens do riacho Ipiranga, gritou o famoso: “Independência ou Morte”. Mas você saberia dizer qual a semelhança entre a Independência do Brasil e o avião Bandeirante? Bom, o que podemos lhe afirmar logo de cara é que ambos foram dois marcos que mudaram o futuro do Brasil.
Projeto Bandeirante
Na década de 1960 houve um projeto de expansão da indústria nacional do, até então, Governo Brasileiro. Havia a necessidade de se criar uma aeronave que pudesse ser utilizada para missões civis ou militares e para o transporte de cargas e passageiros.
O objetivo era desenvolver uma aeronave moderna, adequada à realidade brasileira na época, com pouca infraestrutura aeroportuária, e conseguir interligar as regiões mais afastadas do país. Sendo assim, em 1965 iniciou-se o projeto do avião IPD-6504 que inicialmente foi liderado pela equipe de projetistas engenheiros do Centro Técnico Aeroespacial (CTA).
O projeto era do francês Max Holste e a equipe liderada por Ozires Silva, um engenheiro aeronáutico brasileiro que foi ministro da Infraestrutura e ministro das Comunicações do Brasil, além de ter sido presidente e cofundador da Embraer.
O projeto, em si, durou cerca de três anos, de 1965 a 1968, sendo que, no dia 22 de outubro de 1968 realizou-se o seu primeiro voo.

Com a demonstração real e efetiva do sucesso do projeto, escolheu-se o nome da aeronave como “Bandeirante” em homenagem aos desbravadores do interior do Brasil no período colonial. E no mês cinco de 1971 foi iniciada a produção em série do avião.
Os primeiros a obterem esse avião para voo foram os pilotos da Força Aérea Brasileira, que chegou a encomendar oitenta unidades, e recebeu a sua primeira unidade em 9 de fevereiro de 1973.
A configuração final desta aeronave foi um avião turbo-hélice bimotor, com capacidade de até 8 passageiros, asa baixa e empenagem convencional. O 3° protótipo está exposto no Parque Santos Dumont em São José dos Campos.

Sucesso do Projeto
Com o projeto bem-sucedido do Bandeirante, a Embraer foi criada em 1969, na qual o seu primeiro presidente, foi o, já mencionado, engenheiro Ozires Silva. Esta empresa foi a responsável por produzir o modelo em série para a Força Aérea Brasileira.

O sucesso do Bandeirante foi tamanho acabou impulsionando as vendas para diversos outros países: um total de 498 aviões foi fabricado, sendo que, destes, 245 foram para países como Chile, Estados Unidos, Canadá, México e Inglaterra.

Existiram várias outras versões do Bandeirante, aumentando o número de passageiros, tais como: EMB-110B1, que foi a versão especial do EMB-110B, com alternativa de conversão rápida para transporte de até catorze passageiros e cujo modelo teve duas unidades construídas, uma para a Força Aérea do Uruguai e outra para uso civil. Também teve o EMB-110C, a versão de transporte civil com quinze lugares, podendo variar entre doze ou dezesseis. Este modelo especial era para atender o transporte aéreo regional. Ao todo foram construídos cinco exemplares do EMB-110C que, também, foram fornecidos para a Força Aérea do Uruguai.
O conhecimento adquirido durante o projeto do Bandeirante elevou a Embraer a um outro patamar e a empresa a desenvolveu outras duas aeronaves: Xingu e Brasília que também foram um sucesso.

Independência Aeronáutica
Com a Independência, o Brasil pôde se tornar uma república, cuja constituição respeita os direitos humanos. A Independência trouxe ao país a soberania que lhe faltava para que o país estabelecesse suas próprias normas políticas e sua administração pública, já que a dependência de Portugal nos tornava inaptos a desenvolver qualquer coisa por nós mesmos.
Como exemplo da excelência que foi a proclamação da Independência, o Brasil, dois anos depois já tinha sua primeira Constituição. Da mesma forma se sucedeu com a criação da Embraer. De repente o Brasil não era mais dependente das aeronaves estrangeiras, o país, por si só, acabou desenvolvendo a tecnologia necessária para alcançar novos horizontes na indústria aeronáutica, afetando positivamente a economia do país.
Por mérito do conhecimento alcançado naquela época, hoje, a Embraer é a terceira maior empresa do setor aeronáutico e é uma das maiores exportadoras do Brasil, mudando completamente o cenário aeronáutico do país: depois de começar com aeronaves pequenas, hoje, a empresa já desenvolve jatos comerciais, jatos executivos e aeronaves militares!
O Brasil tem muito potencial, e prova disso é a Embraer, resta-nos ver o futuro não como algo difícil ou inalcançável para as aeronaves brasileiras, mas como um horizonte cheio de possibilidades que podemos alcançar com a Independência de inovar.